Trabalho social em crises humanas: quais as competências necessárias para ajudar

Trabalhar numa missão internacional

Participar numa missão humanitária no estrangeiro significa trabalhar num contexto muito diferente daquele a que um profissional está habituado. Os serviços podem estar destruídos ou funcionar com recursos mínimos, as comunicações são instáveis e as necessidades da população mudam rapidamente.

Para quem vai prestar ajuda, uma das primeiras tarefas é perceber quais são as prioridades. Dependendo do problema, pode ser necessário apoiar famílias separadas, identificar pessoas particularmente vulneráveis, encaminhar casos para cuidados de saúde ou proteção e ajudar no acesso a recursos básicos.

As equipas portuguesas têm uma larga experiência em missões internacionais e estão preparadas para atuar em cenários de emergência de diferentes tipologias. Em junho, por exemplo, o INEM integrou uma força operacional conjunta de apoio à Venezuela, num contexto que exigia a articulação entre diferentes profissionais e entidades.

Intervir perante o trauma

As crises humanas têm muitos rostos e por trás de quase todos encontram-se pessoas afetadas pelo trauma. Os participantes numa missão de ajuda sabem reconhecer os possíveis sinais desse trauma e adaptar o método de intervenção.

O seu objetivo não é substituir psicólogos ou outros especialistas, mas perceber os limites da própria intervenção, identificar necessidades e encaminhar cada situação para o profissional ou serviço adequado.

Em contextos de guerra ou emergência, a proteção da dignidade humana deve permanecer no centro da intervenção. Quem trabalha numa missão internacional pode contactar diretamente com pessoas que perderam familiares, casas ou meios de subsistência, ou que foram vítimas de violência e deslocação forçada.

É por isso que o trabalho desenvolvido por organizações humanitárias como o mostra a importância de proteger vidas e a dignidade humana, mesmo nas circunstâncias mais difíceis.

Conhecer o contexto cultural

Com uma diáspora bastante dispersa e numerosa (sobretudo em países como o Brasil, a França, a Venezuela ou a África do Sul), os operacionais portugueses são muitas vezes chamados pelo seu conhecimento das comunidades locais.

A competência cultural torna-se essencial para adaptar a intervenção à realidade local. Isto não significa que os operacionais tenham de dominar todas as culturas, mas antes saber ouvir, fazer perguntas e evitar preconceitos.

Também é importante compreender que as soluções adotadas num país podem não funcionar noutro. A Cruz Vermelha, a Proteção Civil, a AMI e outras ONG portuguesas trabalham habitualmente com organizações e profissionais locais, o que lhes permite evitar decisões que dependam apenas da perspetiva de quem chega do exterior.

Recursos limitados e decisões difíceis

Em cenários humanitários, os recursos disponíveis podem não ser suficientes para responder a todas as necessidades. Um profissional pode ter de estabelecer prioridades, encaminhar casos ou decidir como utilizar recursos escassos.

Estas situações levantam questões éticas importantes: a confidencialidade, por exemplo, pode ser mais difícil de garantir quando várias organizações partilham informações para proteger um indivíduo.

Também pode existir tensão entre as necessidades do indivíduo e as prioridades de uma comunidade inteira, sendo a capacidade de tomar decisões responsáveis sob pressão tão importante quanto os conhecimentos técnicos.

Manter a ligação no terreno

A comunicação é outra preocupação numa missão internacional. Contactar colegas, coordenar deslocações, consultar informações ou pedir apoio pode tornar-se essencial para o trabalho diário.

Nas zonas afetadas por conflitos ou catástrofes, é frequente as redes de comunicação convencionais apresentarem limitações. É neste contexto que tecnologias como a de um eSIM podem funcionar como uma ferramenta de conetividade.

Um eSIM permite utilizar um plano móvel sem recorrer a um cartão SIM físico e pode facilitar a utilização de dados móveis quando um profissional se desloca entre países ou precisa de recorrer a diferentes redes.

Uma missão depende de muitas profissões

Os portugueses que integram missões internacionais não trabalham de forma isolada. A resposta humanitária envolve frequentemente assistentes sociais, médicos, enfermeiros, psicólogos, especialistas em proteção, equipas de emergência, organizações não governamentais e parceiros locais.

É, assim, importante saber comunicar com profissionais de outras áreas para transmitir informações relevantes, respeitar as responsabilidades de cada equipa e coordenar esforços para evitar sobreposições.

Esta colaboração pode ser particularmente importante quando uma situação requer simultaneamente apoio social, cuidados de saúde, proteção de crianças ou assistência a pessoas deslocadas.

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