Rádios comunitárias ganham importância como ferramenta de ajuda ao desenvolvimento

 Rádios comunitárias ganham importância como ferramenta de ajuda ao desenvolvimento

Embora praticamente inexistente, o conceito de comunicação de rádio comunitária tem vindo a assumir-se como uma importante ferramenta de ajuda ao desenvolvimento em algumas das regiões mais pobres do globo, nomeadamente em África e na América Latina.

E até as Nações Unidas já estão a apostar neste tipo de emissoras como instrumentos de participação cívica, colocando-as ao serviço da defesa dos direitos humanos em contextos de extrema pobreza e antídotos ao isolamento, apatia e infoexclusão.
Estas são algumas das conclusões da investigadora Patrícia da Mota Paula, que defendeu a sua tese de doutoramento em Ciências da Comunicação no Instituto Universitário de Lisboa. O documento tem como base um estudo desenvolvido ao longo de quatro anos, que inclui trabalho de campo em países como Moçambique e Guiné Bissau.

Esta investigação mostra que as rádios comunitárias funcionam como uma espécie de “tribuna das preocupações e interesses das comunidades locais, normalmente marginalizadas e excluídas, servindo simultaneamente de escola de aprendizagem democrática onde, individual ou coletivamente, as prioridades fundamentais são expressas e exigidas”.

Na sua tese, Patrícia da Mota Paula salienta ainda o facto de, mais do que uma rotina diária para ouvir música (como nos países mais ricos), na maior parte dos países do hemisfério sul a rádio “ é o único meio de comunicação acessível a uma população maioritariamente iletrada ou a segmento cujo salário não lhes permite comprar o jornal e muito menos um televisor”.

Por um lado, porque as rádios comunitárias admitem o uso de línguas locais, muitas vezes faladas apenas por minorias esquecidas, e, assim, ultrapassa as barreiras impostas pelo analfabetismo ao alcançar pessoas que não sabem ler nem escrever, adaptando-se perfeitamente a culturas dominadas pela oralidade. Por outro lado, porque o aparelho rector (que pode ser a pilhas, que substituem a energia escassa ou inexistente em muitos locais) é relativamente acessível do ponto de vista económico, com as vantagens acrescidas de se poder transportar facilmente e possibilitar a escuta coletiva.

Congregando mais de 4.000 estações emissoras, federações e centros de produção em pelo menos 115 países, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias destaca ainda o papel que estes meios de comunicação desempenham nas zonas rurais, pastorícias e costeiras, dado o seu contributo para a promoção da segurança e cooperação entre agricultores, produtores de gado e pescadores. O que significa que neste Ano Internacional da Agricultura Familiar (2014), decretado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, as rádios comunitárias possam assumir maior protagonismo, atraindo a atenção pública mundial para a importância da agricultura familiar na redução da pobreza e da fome.

Impulso Positivo

Fonte| http://www.impulsopositivo.com/content/radios-comunitarias-ganham-importancia-como-ferramenta-de-ajuda-ao-desenvolvimento

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