O casal desempregado que gastou o que tinha para dar água

“Lucinda e Paulo ofereceram água a centenas de pessoas abandonadas à sua sorte e hoje são referências nacionais…
Quando partilhei o vídeo, da autoria da jovem Daniela Santos que mostrava Lucinda Borges e Paulo Pereira, residentes em Avanca, Estarreja a darem água a dezenas de pessoas que estavam paradas há cinco horas na auto-estrada, debaixo de um calor tórrido, interessei-me em conhecer este casal e fui à sua procura com a ajuda de vários amigos.


O gesto deles tocou-me a alma e como as pessoas capazes de fazer isto são tão raras nos dias que correm, achei que esta história merecia ser divulgada. Num mundo onde abundam as tragédias e as más notícias, estes raios de luz e de esperança devem ser projectados.
Como imaginei, rapidamente o vídeo se tornou viral e recebi contactos de alguns jornalistas interessados em conhecer a Lucinda e o Paulo.
A história do seu ato é mais tocante porque ambos estão desempregados, vivem com dificuldades, mas não hesitaram em comprar todo os stock de água que havia no supermercado com o pouco dinheiro que tinham disponível. Foram sete horas a distribuir mais de mil litros de água em centenas de garrafas. Beberam crianças, idosos, pessoas doentes e todos os que se dirigiam junto da vedação que separa a auto-estrada do caminho onde estavam. Ninguém pagou nada porque o casal recusou receber dinheiro.
Quando lhe perguntam quanto gastaram, Lucinda diz: “Não me fica bem dizê-lo, foi de coração. Podemos viver mais ‘apertados’ durante a semana, mas ninguém nos tira o orgulho do que fizemos.”
E a nós ninguém nos tira o orgulho de termos portugueses com corações enormes que fazem a diferença.
O mínimo que podemos fazer à Lucinda e ao Paulo é pedir a quem tiver oportunidade que disponibilize um trabalho para cada um deles. Pessoas com esta dimensão não merecem estar desempregadas. E quem os empregar vai certamente fazer uma boa escolha.
Um Forte Abraço à Lucinda e ao Paulo e garanto que não me vou esquecer de vós…serão sempre um exemplo nos espaços de cidadania e nos diálogos com a minha filha e os meus alunos.”

 

Fonte : Nelson Lopes

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