Menos 59 mil famílias numerosas numa década
O número de famílias numerosas está a diminuir a um “ritmo acelerado” em Portugal, totalizando 154249 em 2011, menos 59609 face a 2001 (27,8%), segundo dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística.
Em 2011, as “famílias com descendência numerosa”, com três ou mais filhos, representavam 4,8% dos núcleos familiares e 7,4% dos núcleos familiares com filhos, quando em 2001 correspondiam a 7,0% e a 10,1% (213858 núcleos).
Segundo a publicação “Família nos Censos 2011”, divulgada a propósito do Dia Internacional da Família, que se assinala na quinta-feira, as famílias numerosas “jovens”, em que todos os filhos são menores, representavam 3,2% do total dos núcleos com filhos, contra 3,9% em 2001.
Embora o peso destes núcleos jovens diminua, “essa redução é menos vincada que a redução global das famílias numerosas, que em termos absolutos diminuem 20,2%”, refere a publicação conjunta do INE e do Instituto de Ciências Sociais.
Os núcleos conjugais de casais em primeira conjugalidade representam “a clara maioria” dos núcleos familiares numerosos, mas “diminuem de forma assinalável” entre 2001 e 2011, passando de 180608 para 111657 (38,2%).
Já os núcleos familiares reconstituídos constituem “uma parcela com relevo crescente” nestas famílias, aumentando de 11997 em 2001 para 20455 em 2011, representando 13,3% do total de famílias numerosas.
“O aumento do divórcio e a maior frequência da dissolução de uniões de facto tornam mais comuns as situações de recomposição, e o nascimento de filhos das novas relações é frequentemente um passo para a consolidação das novas uniões”, explica o INE.
Apesar dos núcleos monoparentais com três ou mais filhos terem crescido ligeiramente, de 21253 para 22137, “no quadro do decréscimo global” deste tipo de famílias, o seu peso proporcional aumenta significativamente de 9,9% em 2001 para 14,4% em 2011.
Ressalvando que não têm elementos que expliquem estes dados, os investigadores dizem que podem dever-se a “situações de emigração prolongada de um dos cônjuges” ou a casos de divórcios ou separação em que “a recomposição familiar se torna complicada ou mais difícil em virtude da própria dimensão da descendência e do peso que ela assume no mercado matrimonial, sobretudo no caso das mulheres”.
A publicação destaca também que “o rápido decréscimo” das famílias numerosas tornaram “a sua distribuição territorial mais uniforme”.
“Se nos Censos de 2001 ainda se conseguia observar uma diferença entre Norte/Ilhas e Sul, seguindo a clivagem tradicional, nos Censos de 2011 as diferenças são bastante mais ténues”, sublinha.
Mantêm-se valores acima da média nas regiões de fecundidade historicamente mais elevada (Tâmega, Cávado, Açores, Madeira) mas a estes soma-se a Grande Lisboa.
O perfil regional evolutivo entre Censos permite perceber que “os contrastes regionais relativamente a este tipo de famílias já não se relacionam com os padrões seculares da fecundidade”.
O INE adianta que a Península de Setúbal, Lezíria do Tejo, Baixo Alentejo, para além da Grande Lisboa, são as regiões que resistem ao decréscimo proporcional generalizado das famílias com descendência numerosa.
Jornal de Notícias
Fonte| http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=3862760&page=-1
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