Como exercer a profissão de Assistente Social na Alemanha

Primeiro que tudo importa referir que o meu testemunho se reporta do ano de 2015 (Dezembro) a 2017 (Maio), o que pode atualmente estar desatualizado.  É igualmente pertinente mencionar que a atribuição do grau de assistente social na Alemanha difere de região para região, ou até mesmo de faculdade para faculdade.

No meu caso, a permissão para exercer serviço social na Alemanha foi-me atribuído pelo Bezirksregierung Münster em colaboração com a Faculdade de Münster.

Existe um site na Alemanha (https://www.anerkennung-in-deutschland.de/html/de/) em que podemos pesquisar qual a Instituição/Organização responsável pelo reconhecimento do diploma, de acordo com a nossa área de residência ou onde pretendemos trabalhar. Após ter realizado o contacto, foi-me logo disponibilizado todos os requisitos que iria necessitar para a abertura do processo, entre os quais tradução oficial dos documentos pessoais (certificado de habilitações, CV, cartas de recomendação, e outros documentos que pudesse ter), nível de alemão B2 , atestado criminal e a possibilidade de realização de um estágio de 100 dias em ambiente institucional alemão.

Para mim, fez-me sentido solicitar o reconhecimento só após ter praticamente tudo “em minhas mãos”. Foi-me logo dito que após a análise dos documentos que haveria a possibilidade de ter que frequentar duas cadeiras para obter a equivalência. Estas seriam no ramo do direito.

Sendo assim, considerei que tirar o curso de alemão seria prioritário, por motivos pessoais (linguísticos) e temporais, uma vez que apenas dependia de mim, podia demorar mais tempo. Ao mesmo tempo, solicitei a tradução dos documentos, para que os tivesse assim que acabasse o curso.

Finda esta fase, dei início ao processo na Organização, que enviou os documentos para a faculdade e como havia sido dito, teria que frequentar duas cadeiras.

Após a aprovação dos exames, solicitei o atestado criminal apenas quando a faculdade mo solicitou, uma vez que tinha “data de validade”.

Posto isto, foi constatado de que as minhas habilitações dariam equivalência a três cursos, entre as quais tive que escolher qual a que eu queria exercer na Alemanha. Optei por serviço social, por ser a minha formação de base e pelas hipóteses dadas ser a mais abrangente.

Durante todo este processo, e de acordo com o mercado alemão, que tem bastante oferta de emprego, fui sempre enviando currículos, quanto mais não fosse para auxiliar assistentes sociais na sua prática e ir lidando com a profissão. Fui chamada para (3) entrevistas  de trabalho (ainda sem ter o reconhecimento). De uma das entrevistas fui convidada para trabalhar, mas com o acordo de que teria que obter o reconhecimento o mais rápido possível. Na altura, estava prestes a realizar os exames. Por vários motivos, passei um exame e reprovei o outro, que só poderia voltar a repetir no semestre seguinte. Graças à minha chefe e à falta de assistentes sociais no mercado pude continuar a exercer a profissão sem o reconhecimento até ao próximo exame. Tenho aqui, que referir, que desde que comecei a trabalhar nesta instituição recebi todo o apoio neste processo, quer da chefia, quer das colegas de trabalho que sempre foram compreensivas.

Esta minha experiência profissional valeu-me a “frequência” dos 100 dias de prática que poderiam ser exigidos para o processo de reconhecimento. Neste âmbito, foi igualmente importante a realização do estágio profissional no Lar de Crianças e Jovens assim como o tempo que trabalhei a seguir no Centro Comunitário PIA II, ambas valências da Santa Casa da Misericórdia de Almada.

Devo referir, que o meu processo desde que iniciou até eu receber o reconhecimento demorou sensivelmente um ano e meio, entre frequência das cadeiras, reprovação de uma delas e troca de correspondência com a faculdade e organização responsável pela a atribuição do estatuto de assistente social na Alemanha. Considero assim, que todo o processo foi célere.

Por : Carina Amaral

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