Banco de Partilha Social propõe cidadania activa com 20 euros

 Banco de Partilha Social propõe cidadania activa com 20 euros

E se lhe dissessem que com 20 euros por ano podia ajudar a criar 20 mil postos de trabalho e ainda receber o mesmo dinheiro de volta em géneros agrícolas? Aceitava? A proposta é feita pelo recém-criando Banco de Partilha Social que se propõe a lançar o desafio a todo o país, ajudando desempregados e idosos.

 

A ideia contou com cerca de três anos de maturação e está prestes a ser posta em prática. “Houve encontros, contactos com universidades, de norte a sul, com pessoas, para tentar entender o que os preocupava”, afirma Luís Figueiredo, um dos rostos do novo projecto. Depois disto, a certeza é só uma. “Estamos cientes de que temos algo que podemos fazer para mudar o estado de coisas”, diz Luís Figueiredo.

O estado de coisas refere-se ao elevado desemprego jovem e ao contínuo e cada vez mais expressivo envelhecimento da população portuguesa. Foi para responder a estas duas realidades que o Banco de Partilha Social se concretizou, com lançamento oficial do nome no início do ano.

O objectivo para as próximas semanas é fazer um périplo pelo país, divulgar o banco e recolher candidaturas às possíveis ofertas. O funcionamento é simples. Cada pessoa pode investir 20 euros anuais no banco que lhe serão devolvidos em géneros agrícolas, daqui a cinco anos. É uma poupança que vai ajudar a criar, segundo espera Luís Figueiredo, 20 mil empregos.

Estão previstas hortas sociais, onde será possível que os jovens desempregados trabalhem e concretizem numa fonte de rendimento. “Já contactámos autarquias que estão disponíveis a ceder-nos terrenos para o efeito”, avança Luís Figueiredo. Os espaços vão contar com o conceito de “horta shopping”, sendo possível comprar os produtos directamente no local.

Outras apostas como o turismo rural e a reabilitação de quintas também estão na manga e podem possibilitar diferentes ofertas de emprego.

Já a ajuda aos mais idosos vai ser concretizada com a acção “Anjos da Guarda” que prevê que possa ser dado um apoio ao nível das actividades mais básicas da vida diária, como ir às compras, ao médico, ao supermercado, à farmácia ou simplesmente para saber se está tudo bem.

A ideia é diminuir o isolamento e a solidão e ao mesmo tempo criar postos de trabalho para os “anjos da guarda”. É ainda possível que o projecto conte com uma carrinha, em cada comunidade, que possa estar responsável por cerca de 50 idosos, como forma de criar “um acompanhamento social de um mesmo grupo”.

O apelo das próximas semanas vai ser, por isso, a que cada cidadão se inscreva no banco e crie a sua conta, através da qual vai ser possível acompanhar o seu investimento, bem como comprar mais títulos, tal e qual como numa poupança bancária. “Acreditamos que um em cada dez cidadãos abra conta neste banco, porque não estamos a pedir às pessoas que dêem nada, mas sim que poupem. Ao fim de cinco anos, os 100 euros poupados podem ser usados na aquisição de produtos hortícolas”, explica Luís Figueiredo.

Para os mais velhos, e com mais dificuldade no acesso online, está pensada uma forma de inscrição e acesso pelo telefone ou mesmo em parceiros, como papelarias e cafés. “Estamos confiantes de que esta é uma causa social inédita, a nível nacional, de um gesto de partilha e cidadania”, acredita Luís Figueiredo.

 

Ana Pires Fonseca| EAS

Subscreva a nossa newsletter

Receba as novidades do EAS no seu email.

Artigos Relacionados