A doença que trava os movimentos de quem a tem e arrasta a família
Em poucos países europeus os doentes com esclerose múltipla dependem tanto dos cuidadores informais como em Portugal.
Cansaço, tremores, dificuldades em andar e dores de cabeça passaram a ser tão frequentes para Maria do Rosário, que começou a desconfiar de que algo estaria errado. O marido, Alberto Nuno, diz que “ela nunca foi de se queixar”, mas o que é de mais é de mais. E confirmou-se. Era e ainda hoje é de mais. O fardo da esclerose múltipla é tão pesado, que arrasta toda a família. Alberto confirma. Ambos deixaram de trabalhar cedo, ainda nos 30, e viram os rendimentos reduzidos para mais de metade. Mas as filhas, que foram trabalhar para ajudar, estão já a retomar a formação universitária de que abdicaram. “Não é tudo perfeito, mas sempre fizemos por viver uma vida tão normal quanto possível.”
A história do casal que vive em Lisboa espelha as conclusões doestudo “EM Power – Dar força aos doentes com esclerose múltipla”, da Faculdade de Farmácia de Lisboa, e a cujas conclusões o DN teve acesso. Sofia de Oliveira Martins, a professora da faculdade que conduziu o estudo, destacou um dos aspetos inovadores sobre os cuidadores informais destes doentes. “Percebemos que quem cuida dos doentes são sobretudo cuidadores informais, cônjuges na sua maioria. Em muitos países europeus não se depende tanto deles, mas de especialistas como enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos. Por cá, tudo depende da família e apenas 2 a 3% dos doentes têm acesso a estes especialistas, enquanto nos países nórdicos atingem 20% a 30%”.
DN
Fonte| http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=4277041
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